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17.02.2006 - Lucro de seguradoras cresce 63%


A rentabilidade das empresas de seguros, previdência e capitalização subiu numa proporção muito maior do que o faturamento em 2005. O lucro líquido chegou a R$ 3,2 bilhões no ano passado, crescimento nominal de 63% ou real (descontado o IGP-M) de 53%, comparado a 2004, segundo estudo elaborado pelo consultor Luiz Roberto Castiglione.

Já o volume de prêmios, contribuições de previdência e vendas de títulos de capitalização somou R$ 64,9 bilhões, crescimento nominal de 11,7% ou real de 5%. O setor de seguros representou R$ 50 bilhões (incluindo R$ 11,7 bilhões do VGBL), previdência privada correspondeu a R$ 6,9 bilhões e títulos de capitalização, a R$ 7,7 bilhões.

`De fato os executivos do mercado têm que comemorar os resultados obtidos`, observa o consultor. A taxa média de retorno do patrimônio líquido foi de 22%. A melhora do lucro do setor veio da recuperação da rentabilidade da carteira automóvel e dos ganhos de produtividade.

`O que se verificou foi o aumento de preço, já que a frota de veículos segurada permaneceu no mesmo patamar.` Os produtos com maior rentabilidade foram o seguro prestamista, que garante o pagamento de dívidas, e o residencial. `Eles compensaram as perdas registradas nos ramos saúde e vida`, disse.

Receita com seguro, previdência privada e capitalização evoluiu 11,7%, para R$ 65 bilhões. A perspectiva de queda da taxa básica de juros para 2006 fará com que as seguradoras mantenham a mesma política de 2005. `Ou seja, aumento de preços acima da inflação, busca por incremento de volumes, reavaliação de modalidades em desequilíbrio técnico e redução de custos fixos`, afirmou o consultor Luiz Roberto Castiglione, membro da Academia Nacional de Seguros Privados (ANSP). O resultado financeiro da operação de seguros, previdência e capitalização, apesar da alta na taxa de juros praticadas em 2005, se manteve em 8,4% dos prêmios.

O índice combinado (prêmios menos indenizações e despesas) ficou em 103,1% dos prêmios ganhos somados as rendas e contribuições de previdência, abaixo dos 105,4% de 2004. Já o índice ampliado, onde se insere o resultado financeiro da operação, ficou em 94,7%, três pontos percentuais abaixo de 2004.

Segundo Castiglione, a tendência é que a quantidade de empresas seja menor com a onda de aquisições iniciada em 2005 e que permanecerá neste ano. `O avanço do canal banco é irreversível. Não é a toa que em 2005 presenciamos uma série de seguradoras sem canal banco comprar outras com esse diferencial`, disse.

Castiglione acredita que em função disso o mercado de corretores de seguros irá sofrer profundas modificações em 2006. `A especialização será o diferencial de sobrevivência dos corretores de seguros que sempre se mantiveram numa postura conservadora. A tendência é que os conservadores cedam seus espaços a aqueles que apresentarem uma postura mais agressiva e criativa.`

Investimentos de R$ 143 bi

O total de investimentos do mercado de seguros, previdência complementar aberta e de capitalização foi de R$ 143,6 bilhões em dezembro de 2005. Desses recursos, R$ 35,7 bilhões correspondem ao patrimônio líquido das empresas e R$ 107,9 bilhões a provisões técnicas, com incremento de 24,4% em relação a dezembro de 2004. Os dados, preliminares, são da Fenaseg, com base em dados da Susep e da Agência Nacional de Saúde (ANS).[1]

Em 2005, o setor de seguros devolveu à sociedade R$ 23,182 bilhões sob a forma de indenizações. A variação, em comparação a 2004 foi de 10,64%. O ramo automóvel pagou R$ 8,6 bilhões em indenizações, incremento de 12,63%. Já a carteira de saúde pagou indenizações de R$ 6,8 bilhões. Na carteira de vida foram totalizados R$ 3,3 bilhões no pagamento de sinistros. A sinistralidade (indenizações pagas sobre o prêmio ganho) média do setor ficou em 66,70%. O mais alto índice ficou com saúde, com 89,98%. Em automóvel, o índice foi de 68,88% e em vida de 56,24%.