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18.08.2006 -
Seguradoras têm pacotes para setor |
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Qual o maior bem de uma indústria? Se sair por aí perguntando para pequenas, médias ou grandes empresas dos mais variados setores, certamente a resposta será a mesma: sua edificação e seus equipamentos. Embora o capital humano seja imprescindível para seu desempenho e os produtos inovadores diferenciem uma indústria da outra, a verdade é que sem maquinário não há linha de produção, não há cuidados com o acabamento e com a qualidade do item desenvolvido e, portanto, não há venda. Em uma empresa de serviços, dá para migrar, de uma hora para outra, toda equipe para um novo endereço e continuar atendendo o cliente. A mesma facilidade não tem um pequeno fabricante de roupas ou peças automotivas, que fica de mãos atadas em casos de perda parcial ou total de seus equipamentos.
Situações envolvendo furto ou roubo, dano elétrico, alagamento ou incêndio podem ocorrer com qualquer pessoa, incluindo o pequeno industrial. Ao se deparar com este novo cenário, sua única chance de continuar no ramo é recomeçar do zero. Muitas vezes, tal situação significa investir em novos equipamentos. "O maquinário, geralmente caro, é o tira-pão de muitas pequenas indústrias", analisa Júlio Tadeu Alencar, consultor de produção do Sebrae-SP. Diante disso, ele recomenda que o pequeno empreendedor contrate um seguro, após pesquisar as ofertas do mercado e analisar item por item.
Embora ter um seguro seja imprescindível para qualquer indústria, Alencar revela que não vê muita procura ocorrendo na prática. "O pequeno tem tantos problemas para comprar matéria-prima e vender o produto que o seguro passa desapercebido", diz o consultor do Sebrae-SP. Além desta conscientização que precisa existir, é importante também que a pequena indústria não se preocupe unicamente com o que existe dentro dos seus muros.
Na hora em que um caminhão deixa seu portão para fazer a entrega aos clientes, o risco continua. Alencar lembra que quase ninguém segura o caminhão e a carga transportada, o que é um grande erro, já que um acidente pode ocorrer e toda a mercadoria desaparecer, em questão de minutos. Outra situação diz respeito ao roubo de cargas, comum em todo país. Só no ano passado, os 10.665 roubos registrados somaram prejuízos da ordem de R$ 700 milhões, segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística.
Por conta deste e de outros motivos, Alencar diz que as pequenas deveriam seguir o exemplo das grandes e parar de enxergar o seguro como custo. "Isso as ajudaria a evitar prejuízos." Embora a grande maioria das pequenas empresas ainda não tenha se conscientizado para a importância de ter um seguro, Cláudio Saba, diretor técnico da Marítima Seguros, revela que as maiores taxas de crescimento vêm das pequenas.
Desde 2001 tem sido assim e a projeção é de aumento de contratos contínuos para este público. Na Marítima, 27% da área de riscos especiais - divisão que não inclui automóveis, pessoas e previdência privada - vêm das pequenas empresas. "Elas andam mais conscientes porque sabem quanto é difícil conquistar seu patrimônio", acredita Saba. Na AGF Seguros, 7% do faturamento de 2005 vieram das pequenas e médias empresas.
Para atender este público, as seguradoras desenvolveram os "seguros simplificados-empresarial", apólices com várias modalidades de coberturas, que devem ser escolhidas de acordo com o risco de cada atividade. Normalmente, a cobertura principal é para casos de incêndio, raio e explosão de qualquer natureza. Depois, o segurado vai escolhendo outras coberturas de interesse do seu negócio. A Marítima Seguros, por exemplo, criou o simplificado indústrias, que oferece 17 tipos de coberturas para o cliente escolher.
Para Saba, a principal busca das pequenas indústrias, em especial do ramo plástico, de pneus, de papel, siderúrgico (metal) e de tintas, refere-se à proteção contra incêndio, queda de raio e explosão de qualquer origem e substância. Há uma procura grande também pela cobertura que arque com o aluguel da empresa, por seis meses a um ano, em casos de incêndio. Além desses itens, os pequenos buscam proteção contra danos elétricos, vendaval (o que inclui granizo e queda de aeronave), roubo e furto qualificado e de responsabilidade civil, modalidade que envolve danos materiais e corporais a terceiros.
A mesma visão tem Luiz Carlos Paladino, superintendente técnico da AGF Seguros, para quem as pequenas indústrias buscam os mesmos benefícios que as grandes. "O que mais ocorre é incêndio, portanto esta é a cobertura mais vendida", diz Paladino. Ele destaca ainda todas as outras proteções para assegurar a integridade de edificações e equipamentos, como cobertura de dano elétrico que, por conta de um curto-circuito, pode prejudicar um equipamento.
Em relação aos principais sinistros que afetam este perfil de empresa, Saba destaca problemas de danos elétricos, vendavais e incêndios, geralmente originados por bitucas de cigarro, funcionários que fumam onde não devem, aquecimento de marmita em locais impróprios e estoque mal armazenado. Anteriormente à contratação do seguro, os proprietários das pequenas indústrias podem solicitar uma inspeção à seguradora. Se o lugar estiver bem protegido com alarme, vigia e hidrantes espalhados por todos os ambientes, ganha-se desconto. Caso contrário, corre-se o risco de o preço aumentar. Dependendo da situação da empresa, o seguro pode até ser recusado.
Embora os seguros tragam benefícios para as empresas no caso do pior acontecer, o corretor Julio Cesar Pasquinelli, diz que é preciso tomar cuidado na hora de assinar a apólice. Acostumado a trabalhar com empresas, ele diz que já viu casos de recusa e surpresas na hora em que o cliente precisou acionar o seguro. Para evitar desgastes posteriores, Pasquinelli sugere que o segurado verifique sempre a franquia obrigatória para cada item da cobertura.
Uma armadilha comum refere-se às companhias que oferecem seguros a preços módicos e jogam as franquias para cima. Muitas vezes, o valor baixo camufla uma franquia alta demais. "Isso é feito com o intuito de o cliente realmente não usar o serviço. Se o custo do conserto de um dano elétrico varia entre R$ 600 a R$ 1,2 mil, tem seguradora que joga a franquia para R$ 2 mil", revela Pasquinelli.
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